O dia começava sem muito entender que o fazia. O dia, tão certamente mudo e surdo em si mesmo era naquele lirismo estranho e nada lírico uma exata piada.  Porque aquele menino, que era mais sorriso que menino, ele nunca foi muito de silêncio. A tarde, que nem sempre caia com a música calma que caberia melhor numa história de 45 minutos antes do nada, era mais dia pra ele do que a manhã em si. Ele se arrumava pro trabalho como quem pedia pra ser olhado, daquele jeito meio manso meio atirado, de uma maneira tão Rock quanto calmaria, mas ele não calava e não se cansava de repetir  Please won’ t you tell me it’s got to go”, ele sentia falta de uma vida conjunta, mas gostava de dizer que era inteiramente livre e que da liberdade ele gozava. Gostava de dizer que o seu hedonismo preferia a vida de alguém que pode voltar depois das dez sem ser olhado de cima a baixo à procura de um beijo na camiseta branca, mas no fundo se via em seu sorriso torto que ele queria uma mão a entrelaçar as tuas nas noites de frio. Ele dizia, talvez sem saber que o fazia, por um olhar quase tão cego quanto o amor, que o encostar na parede de um corpo nu que ele amasse fazendo do teu uma perfeita junção de calidez era o querer dele desde que ele não tinha mais. Talvez ele não soubesse amar porque amava. E só. Ou quem sabe eu enxergue nele só o que eu queira enxergar? Eu nunca o vi, mas sinto essa tua essência inexata só de imaginar tua voz nas palavras que ele escreve. A graça dele está no quão homem ele consegue ser sem deixar de ser menino: e esse tua contrariedade me encanta. Ele parece viver numa veleidade completa, numa utopia quase tão real quanto a realidade em si: ele faz do mais duro e real viver um idílio em si. Ele é lindo. Consegue entender o quão lindo ele é? Ele é horrorosamente lindo. E é essa coisa contrária que mais me encanta no que ele é: eu me encontro nele.

              De Júlia (paradoxoambulante) para Alexandre (naodigite)